Salário mínimo do Paraná não cobre custo de família de quatro pessoas
Piso regional do estado chega a R$ 2.407,90 em 2026, mas estudo do Dieese estima que uma família de quatro pessoas precisa de R$ 7.687,01 por mês para cobrir despesas básicas
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Apesar de ter o maior salário mínimo regional do Brasil, o Paraná ainda está longe de alcançar o valor necessário para sustentar uma família de quatro pessoas. Em 2026, o piso estadual varia de R$ 2.105,34 a R$ 2.407,90, conforme a categoria profissional.
Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que uma família formada por quatro pessoas precisaria de R$ 7.687,01 por mês para arcar com despesas de alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência.
O valor estimado pelo Dieese é mais de três vezes superior ao maior piso regional do Paraná.
O mestre em sociologia política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Márcio Kieller, destaca que o piso estadual registra ganho real desde 2023. Segundo ele, porém, o crescimento ocorreu em ritmo inferior ao do salário mínimo nacional, atualmente fixado em R$ 1.621.
Mesmo com a diferença entre o piso e o custo estimado para uma família, o mercado de trabalho paranaense apresenta números positivos.
O estudo aponta que o Paraná manteve um ritmo elevado de contratações formais e se consolidou entre os estados com mercado de trabalho mais aquecido do país.
Desemprego chega a 3,1%
No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego no Paraná caiu para 3,1%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para Márcio Kieller, porém, os indicadores de emprego não são suficientes para avaliar a situação do trabalhador. Segundo ele, além de encontrar uma vaga, os profissionais passaram a buscar oportunidades que ofereçam remuneração competitiva e possibilidade de crescimento.
O setor de serviços continua como o principal gerador de empregos formais no estado.
Entre 2021 e 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná cresceu 15,4%. No mesmo período, a economia brasileira teve alta de 17,8%.
Os dados mostram um mercado de trabalho com baixo desemprego, mas também evidenciam a diferença entre a renda proporcionada pelo piso regional e o valor estimado para cobrir as despesas de uma família.
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