Moro no PL: Ex-juiz sela acordo com Valdemar e terá Deltan e Filipe Barros na chapa
Senador assume o número 22 para consolidar palanque de Flávio Bolsonaro no estado. Decisão ocorre após impasse com o Progressistas e confirma o fim da aliança entre PL e o atual governador paranaense
O senador Sergio Moro decidiu nesta quarta-feira (18) deixar o União Brasil e se filiar ao Partido Liberal (PL) para disputar o governo do Paraná nas eleições de 2026.
Moro se reuniu durante a tarde com lideranças da federação União Brasil–PP para discutir sua permanência, mas enfrentava resistência interna, especialmente do Progressistas no Paraná. Diante do impasse, optou pela migração.
O senador aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto no estado, fator que pesou na decisão do PL de apoiá-lo.
Composição da chapa
A articulação prevê que a vaga de vice na chapa de Moro seja oferecida à federação União Brasil–PP, como forma de manter diálogo com os partidos.
Para o Senado, o PL pretende lançar o deputado Filipe Barros, enquanto a segunda vaga deve ser ocupada por Deltan Dallagnol, atualmente no Novo.
Mais cedo, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou o apoio ao senador após reunião com Moro.
Segundo ele, a decisão também está ligada à estratégia nacional do partido, que busca fortalecer o palanque do senador Flávio Bolsonaro no Paraná.
“Nós vamos ter que unir todo mundo lá para ele ganhar a eleição no primeiro turno. Senão nós estamos mortos por causa do Ratinho”, afirmou Valdemar.
Ao comentar o rompimento com o governador paranaense, o dirigente afirmou:
“O Ratinho mora no meu coração. Mas acontece que ele vai sair de candidato a presidente, então vamos fazer zero votos no Paraná? E Moro está lá explodindo. Talvez, com 22 [na legenda], Moro ganhe até a eleição no primeiro turno.”
Ruptura com Ratinho Jr.
A decisão do PL foi acelerada após a confirmação de que Ratinho Júnior deve disputar a Presidência da República pelo PSD.
Na semana passada, o governador chegou a se reunir com o senador Rogério Marinho, que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, na tentativa de manter a aliança no estado.
A condição imposta pelo PL era que Ratinho desistisse da disputa nacional para apoiar Flávio, cenário que não se concretizou. Com isso, o partido optou por apoiar Moro.
Até então, havia um acordo para que o PL apoiasse o candidato indicado por Ratinho ao governo do Paraná, em troca da candidatura de Filipe Barros ao Senado.
Disputa no PSD
No grupo de Ratinho, a sucessão estadual segue indefinida. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, busca viabilizar seu nome, enquanto o governador demonstra preferência pelo secretário das Cidades, Guto Silva.
Reaproximação com o bolsonarismo
A filiação de Moro ao PL marca mais um capítulo na relação do senador com o bolsonarismo.
Em 2018, ele deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. Dois anos depois, rompeu com o então presidente, acusando interferência na Polícia Federal.
Em 2022, tentou se lançar candidato à Presidência com discurso crítico ao bolsonarismo, mas não consolidou apoio. Ainda naquele ano, mudou de posição e apoiou Bolsonaro no segundo turno, participando inclusive de atos de campanha.
A nova aliança com o PL reforça essa reaproximação e redesenha o cenário político no Paraná para as eleições de 2026.
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