Servidores da Saúde protestam em Curitiba e cobram reajuste, concursos e fim de desconto previdenciário
Categoria levou uma caneta gigante à Sesa para cobrar compromissos do governo e pressionar por respostas sobre reivindicações antigas
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Servidores da ativa e aposentados da área da Saúde de diferentes regiões do Paraná participaram, na terça-feira (25), de uma manifestação em frente à sede da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em Curitiba. A categoria cobrou respostas do governo para reivindicações que, segundo os trabalhadores, se arrastam há anos.
Entre os principais pontos apresentados estão o reajuste da Gratificação de Atividade de Saúde (GAS), o fim do desconto previdenciário dos aposentados, a convocação dos aprovados no concurso público e melhorias nas condições de trabalho nas unidades estaduais.
Para simbolizar a cobrança por uma decisão concreta, os servidores levaram uma caneta gigante para o secretário de Saúde, Cesar Neves. A intenção foi ironizar a demora para solucionar questões que, na avaliação da categoria, dependeriam principalmente de decisão política e administrativa.
Uma das principais cobranças é justamente a atualização da GAS. Segundo os servidores, o benefício acumula uma defasagem de 59,5%. A categoria lembra que, no ano passado, havia uma promessa de reajuste de 22%, que não foi cumprida.
Os trabalhadores também questionam a justificativa financeira para a demora. Segundo o sindicato, o Paraná possui cerca de R$ 10 bilhões em caixa, enquanto o custo estimado para recompor a GAS seria de aproximadamente R$ 60 milhões por ano.
Durante a reunião com representantes da Sesa, a equipe da secretaria informou que o reajuste estaria inviabilizado neste momento por causa do período eleitoral. A assessoria jurídica do sindicato, porém, possui entendimento diferente. A pasta afirmou ainda que o reajuste deverá ser realizado até o final do ano.
Concurso e aposentados
Outra cobrança envolve a convocação dos aprovados no concurso público da Saúde. Uma representante dos candidatos participou da reunião e relatou a demora no preenchimento das vagas, além de questionar a priorização de contratações por Processo Seletivo Simplificado (PSS) em vez da convocação dos concursados.
De acordo com a Sesa, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) analisa atualmente a possibilidade de realizar novas convocações durante o período eleitoral. Uma resposta era esperada até sexta-feira (28).
Os aposentados também cobram o fim do chamado confisco previdenciário. A secretaria se comprometeu a articular uma reunião com a Casa Civil para discutir o assunto na próxima semana. O sindicato deverá apresentar um estudo apontando que, desde 2020, os descontos já teriam retirado aproximadamente R$ 2,4 bilhões dos aposentados.
Estrutura e diálogo
As condições de trabalho também foram apresentadas como preocupação. Os servidores afirmam que existem unidades com problemas estruturais, citando situações em hospitais e serviços de Londrina e Maringá.
A categoria voltou a cobrar explicações sobre o uso irregular de câmeras no Hospital Infantil Waldemar Monastier (HIWM), em Campo Largo, e pediu a criação de um canal permanente de diálogo para discutir problemas estruturais e administrativos.
A reunião ocorreu sem a presença do secretário Cesar Neves, que estava em Brasília. Mesmo assim, a pressão resultou no recebimento de uma comissão de servidores e de uma representante dos aprovados no concurso por assessores da pasta.
Ao final, os representantes reforçaram o pedido para uma reunião direta com o secretário. Segundo a categoria, Cesar Neves não recebe os servidores há mais de dois anos, apesar de solicitações formais feitas anteriormente.
A Sesa garantiu que o encontro será agendado. Para os servidores, entretanto, a manifestação mostra que a pressão continuará enquanto as promessas não forem transformadas em medidas concretas.
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