Setor produtivo contesta veto à subvenção do seguro rural pelo Governo Federal
A situação desagradou o setor, que contesta os valores que têm sido destinados pelo governo federal ao agronegócio
O veto do Governo Federal à subvenção ao seguro rural provocou revolta ao setor produtivo do Paraná. Nesta segunda-feira (06), Federação Paranaense dos Engenheiros Agrônomos reagiu a medida criticando o governo devido a medida tomada. O veto consiste no dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025, que é responsável por proteger o orçamento do Programa de Seguro Rural, cuja reivindicação era de R$ 4 bilhões em recursos. A situação desagradou o setor, que contesta os valores que têm sido destinados pelo governo federal ao agronegócio. Conforme divulgado pela Federação, na safra anterior foram destinados R$ 964,5 milhões, valor considerado pífio. Esse valor seria de R$ 1,06 bilhão, mas a verba sofreu corte.
Até 19 de dezembro do ano passado, R$ 882 milhões já estavam comprometidos com a subvenção ao prêmio do seguro rural, por meio da contratação de pouco mais de 116 mil apólices. Isso totalizou uma área segurada de 6,3 milhões de hectares e um valor total segurado de R$ 45 bilhões. As atividades de soja, milho 2ª safra, café, trigo e pecuária foram as que mais demandaram recursos.
O Programa de Seguro Rural sempre contou com a subvenção do governo, atendendo a contratação pelo produtor, em que o prêmio pago a ele conta com um subsídio na ordem de 40%, a depender da cultura.
Diante do veto presidencial, a rubrica agora segue a condição de discricionária. Isso quer dizer: é passível de remanejamento pelo Executivo durante o exercício fiscal.
O presidente da FEAPR (Federação Paranaense dos Engenheiros Agrônomos), Engenheiro Agrônomo Cesar Veronese, classificou de lastimável o veto do presidente Lula. O governo já havia anunciado uma subvenção de R$ 1 bilhão e o setor produtivo lutava para chegar a pelo menos R$ 4 bilhões. “Para a surpresa de todos, o veto cortou até mesmo esse R$ 1 bilhão que seria destinado ao Programa de Seguro Rural”, comenta o presidente da FEAPR.
No Paraná, são cerca de 400 empresas que empregam engenheiros agrônomos dedicados a elaborar projetos de seguro e a realizar perícias. Para Veronese, todos os produtores deveriam fazer o seguro, principalmente no Paraná em que há várias culturas de risco.
O dirigente da FEAPR afirma que o papel do governo é o de ser um facilitador e incentivar o produtor a contratar o seguro e não o contrário, como está ocorrendo agora. “Esse apoio precisaria ser dado de maneira mais robusta para a cultura do trigo, em que o Brasil é deficitário e depende de outros polos produtores para abastecer principalmente o setor industrial de panificação”.
Segundo Veronese, a FEAPR pretende se manifestar juntamente com outros setores produtivos, visando a liberação do mérito de ao menos R$ 1 bilhão já convencionado e de mais recursos para que o produtor possa plantar com segurança.
A Apepa (Associação Paranaense de Planejamento Agropecuário) também se manifestou contrária ao veto do dispositivo por parte do governo federal. Para o Engenheiro Agrônomo Lucas Schauff, diretor técnico da Apepa, se trata de mais um revés sofrido pelo setor produtivo nacional.
“O seguro rural é uma ferramenta importante para a proteção dos produtores rurais e para o combate ao êxodo no campo. A falta desses recursos ainda gera insegurança alimentar”, comenta Lucas.
O Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) já havia sofrido o revés no fim do ano passado. Agora, é o seguro rural. “É com base nos valores subsidiados pelo governo que as seguradoras definem suas estratégias comerciais”. O contingenciamento de recursos torna ainda menor o número de produtores protegidos pelo seguro rural.
O seguro agrícola vem patinando ano após ano no Brasil, no entendimento do representante da Apepa. “Os valores disponibilizados pelo governo a cada safra são ínfimos diante da robustez da nossa agropecuária”.
Segundo ele, menos de 15% da área agrícola é coberta por seguro. “Essa realidade comprova que não estamos conseguindo proteger os agricultores da maneira como o país deveria”. Em outros países agrícolas, como os Estados Unidos, esse percentual de cobertura é bem maior.
A Apepa integra a Câmara Temática do Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura, ao lado de mais de 60 entidades. “Muito se fala em buscar mais recursos, mas é importante também vem o outro lado. Daria para fazer muito mais com o orçamento disponibilizado não fosse algumas ineficiências já identificadas nos programas”, aponta Lucas Schauff. Para ele, é preciso fazer uma classificação mais aprimorada do risco, refletindo no aumento da quantidade de contratação e na promoção de melhores condições para garantir a proteção do agricultor. Para alcançar esse objetivo, seria necessária uma reestruturação desses programas.
Matérias relacionadas
Moro nega uso político de eventos da Fiep em ação eleitoral no Paraná
Gazeta checa declarações de Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro em sabatinas da Massa FM Cascavel
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em nova rodada de pesquisas para presidente
TRE-PR libera pesquisa Quaest após instituto apresentar comprovantes e esclarecer questionamentos
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.