Tarcísio critica desfile que homenageou Lula e comemora rebaixamento da escola
Governador de SP diz que apresentação foi propaganda política; aliados do presidente negam irregularidade
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a criticar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval do Rio de Janeiro. A apresentação ocorreu no domingo, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
Durante agenda no interior paulista nesta quinta-feira, Tarcísio afirmou que o desfile foi de “péssimo nível” e classificou a iniciativa como propaganda política. Segundo ele, a escola promoveu divisão e atacou famílias e evangélicos. O governador disse ainda que se sentiu agredido com o conteúdo apresentado.
Tarcísio também comentou o resultado do julgamento das escolas do Grupo Especial. A Acadêmicos de Niterói recebeu a menor nota do ano e foi rebaixada. O governador afirmou que o desfecho foi adequado diante do que classificou como postura inadequada da agremiação.
Enredo e críticas à oposição
O samba-enredo da escola teve como título “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Durante o desfile, alas e carros alegóricos fizeram referências a adversários políticos do presidente.
Uma das alas representou “neoconservadores” com fantasias de latas de conserva ambulantes. No carro alegórico de abertura, a escola apresentou bonecos que simbolizavam ex-presidentes da República. A encenação mostrou a passagem da faixa presidencial entre representações de Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi retratado como um palhaço. No encerramento, um carro alegórico exibiu a figura atrás das grades, vestida com roupa de presidiário.
Nunes questiona legalidade
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também criticou o desfile. Ele afirmou que a apresentação teria desrespeitado normas eleitorais por ocorrer em ano de eleição.
Segundo Nunes, houve ataque a adversários políticos do homenageado, o que, na avaliação dele, poderia configurar abuso eleitoral. O prefeito disse que a situação representa afronta à legislação.
Aliados do presidente Lula, no entanto, afirmam que não houve pedido explícito de voto durante o desfile e, portanto, não existiria propaganda eleitoral antecipada.
Resposta do governo federal
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou nota na segunda-feira sobre o episódio. O governo federal informou que não houve irregularidade e destacou que não existe decisão judicial impedindo o desfile.
Segundo a nota, os recursos destinados ao Carnaval do Rio são repassados à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e não diretamente às agremiações. O Planalto afirmou ainda que não houve ingerência do governo na escolha ou no desenvolvimento do enredo.
O desfile ocorreu em meio a um cenário de polarização política. As manifestações públicas de Tarcísio e Nunes ampliaram o debate sobre os limites entre expressão cultural e manifestação política em eventos financiados com recursos públicos.
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