“Trabalhar menos para viver mais”: ato em Cascavel defende fim da escala 6x1
Propostas em Brasília ganham força enquanto trabalhadores cobram mudanças na legislação
O feriado do Dia do Trabalhador, na última sexta-feira (01), foi marcado por protestos em apoio ao fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que se trabalha seis dias da semana e folga um. A mobilização também marcou as ruas de Cascavel, com incentivo do movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Trabalhadores, movimentos sociais e representantes de diferentes organizações participaram de um ato em defesa do fim desse modelo.
A manifestação integra um movimento nacional que vem ganhando força nos últimos meses, mas que teve início em 2023, e pressiona por mudanças na legislação trabalhista. A ação propõe a redução da carga horária de trabalho sem diminuição salarial e a adoção de modelos mais equilibrados, como a escala 5x2, na qual são cinco dias trabalhados e dois de folga.
Durante o ato, manifestantes destacaram que a reivindicação não é recente, mas vive um momento considerado decisivo. Isso porque propostas que tratam da jornada de trabalho avançaram em Brasília, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton e o projeto de lei enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em regime de urgência.
Participantes afirmam que a mobilização nas ruas é essencial para pressionar o Congresso Nacional a dar andamento às propostas.
“É inadmissível que a gente aceite uma escala de trabalho em que as pessoas trabalham mais do que vivem [...] As pessoas precisam saber que têm direito à vida”, afirmou a vereadora Bia Alcantara (PT), que se mostra presente em manifestações sobre a pauta. Para ela, o fim da escala 6x1 representa mais do que uma mudança trabalhista: é uma questão de dignidade e qualidade de vida.
Impacto na vida social
A realidade de quem vive à escala 6x1 foi um dos pontos centrais do protesto. A empreendedora Amanda Vasconcelos relata que a rotina com apenas um dia de folga semanal limita o acesso ao lazer, à cultura e ao descanso.
“Melhora tudo: você pode ter acesso ao lazer, à educação, à cultura, se politizar mais e ter tempo para militância, para estar a par do que acontece com o trabalhador e com as pessoas, no geral”, esclareceu Amanda ao ser questionada sobre quais melhorias o fim dessa escala traria à sociedade.
Ela conta que já trabalhou em uma escala 5x2 e percebe uma diferença significativa na qualidade de vida. Mesmo sem filhos, Amanda destaca que a situação pode ser ainda mais difícil para quem precisa conciliar trabalho com responsabilidades familiares.
“Quem tem só um dia de folga acaba usando esse tempo para resolver problemas e cuidar da casa, sem realmente descansar.”
Divergências
O ato também trouxe à tona discussões sobre os impactos econômicos da mudança. Entre críticos da proposta, há o argumento de que a redução da jornada poderia afetar a produtividade e aumentar os custos para as empresas.
Já os manifestantes defendem o contrário: para eles, a diminuição da escala pode gerar novos postos de trabalho, já que mais pessoas seriam necessárias para cobrir jornadas reduzidas.
“A diminuição da escala aumenta a quantidade de empregos. Não tem desvantagem, principalmente econômica”, avalia Amanda.
Recorte social
Durante a manifestação, a vereadora Bia Alcantara levantou o impacto que a escala 6x1 tem sobre as mulheres. Segundo a parlamentar, a jornada extensa intensifica a chamada dupla jornada, em que o trabalho formal se soma às responsabilidades domésticas e de cuidado.
Foi destacado que, com apenas um dia de descanso, muitas trabalhadoras utilizam o tempo livre para tarefas da casa, o que reduz ainda mais as possibilidades de lazer e desenvolvimento pessoal.
“Essa mulher, a quem historicamente foi atribuída a função de cuidar dos filhos e da casa, precisa, nesse único dia, dedicar seu tempo a outras pessoas e à casa.”
Pressão popular
O ato em Cascavel reflete um movimento mais amplo de mobilização social em torno da pauta trabalhista. Para os organizadores, a pressão popular é determinante para que o Congresso avance na discussão e vote as propostas em tramitação.
Apesar das divergências políticas, o clima entre os participantes foi de esperança. A expectativa é de que o fim da escala 6x1 avance ainda durante o atual governo e represente uma mudança significativa na vida dos trabalhadores brasileiros.
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