Um registro a cada três dias: Foz contabiliza 41 boletins por estupro de vulnerável no primeiro trimestre de 2026
Dados da Segurança Pública indicam média de três ocorrências por semana; rede de proteção acompanha 120 procedimentos em andamento no município
Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR) apontam que Foz do Iguaçu registrou 41 boletins de ocorrência por estupro de vulnerável entre janeiro e março de 2026. O número representa uma média de aproximadamente três registros por semana no município.
A divulgação dos dados gerou repercussão nas redes sociais e também foi tema de reportagem em diversos veículos de comunicação.
O cenário também chama atenção em escala estadual. Segundo dados apresentados pelo Sesp em 2025, no Paraná uma criança ou adolescente é vítima de crime sexual a cada uma hora e sete minutos.
Em Foz do Iguaçu, o Núcleo de Estudo e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (NEDDIJ), da Unioeste, informou acompanhar atualmente 120 procedimentos em andamento relacionados ao atendimento, acolhimento e proteção de crianças e adolescentes. A coordenadora Fabiana Irala também confirmou que a maioria dos casos que estão em acompanhamento pelo Núcleo envolve padrastos, tios, avós, primos e pessoas que cuidam temporariamente das crianças.
Os números dialogam com um padrão observado nacionalmente. Registros nacionais divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que cerca de 76,5% dos estupros acontecem dentro de casa, e são praticados por familiares ou pessoas próximas da vítima, indicando que grande parte das ocorrências acontece dentro de ambientes de convivência e confiança.
Casos divulgados recentemente pela Polícia Civil do Paraná em Foz do Iguaçu ilustram diferentes contextos investigados, incluindo situações envolvendo pessoas do convívio direto das vítimas e ocorrências dentro do ambiente doméstico. Embora episódios individuais não permitam estabelecer tendências estatísticas, eles ajudam a compreender como a violência sexual infantil pode ocorrer em espaços considerados de confiança.
Especialistas e órgãos de proteção alertam que os registros oficiais representam apenas os casos que chegam ao sistema de denúncia e atendimento, enquanto parte das ocorrências pode permanecer invisível por fatores como medo, vínculo com o agressor, dependência familiar e demora na revelação da violência.
Como e Onde denunciar
O Estado conta com o Disque 181, em que é possível fazer a denúncia de forma anônima, com o registro feito diretamente na Secretaria de Segurança Pública.
Também é possível denunciar uma situação de emergência através do 190, telefone da Polícia Militar, em casos de flagrante.
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