Único sobrevivente de acidente aéreo relata cena de terror ao sair de aeronave: "Corpos por todos os lados"
Vishwash Kumar Ramesh, 40 anos, estava sentado no assento 11A e teve ferimentos no peito, olhos e pés
Um dos piores desastres aéreos da história aconteceu nesta quinta-feira (12), quando um Boeing 787 com 242 pessoas a bordo caiu sobre uma área residencial pouco depois de decolar do Aeroporto Internacional Sardar Vallabhbhai Patel, na cidade indiana de Ahmedabad. As autoridades confirmaram, até o momento, 290 mortos, número que inclui moradores atingidos na área da queda. O acidente já é considerado um dos dez mais letais da aviação mundial.
Entre os destroços, um único sobrevivente: Vishwash Kumar Ramesh, 40 anos, estava sentado no assento 11A. Internado com ferimentos no peito, olhos e pés, ele relembrou os momentos de terror que se seguiram à tragédia. “Quando me levantei, havia corpos por todos os lados. Fiquei com medo, me levantei e corri. Havia pedaços do avião por todos os lados”, contou ao jornal indiano Hindustan Times, já na enfermaria do Hospital Asarwa.
A aeronave da Air India havia decolado às 13h39 no horário local (5h09 de Brasília) e perdeu altitude menos de um minuto depois. Imagens captadas por câmeras de segurança e celulares de moradores mostram o avião caindo rapidamente e explodindo ao atingir o solo. “Trinta segundos após a decolagem, houve um barulho alto e o avião caiu. Tudo aconteceu muito rápido”, afirmou Vishwash.
No total, viajavam no voo 217 adultos, 11 crianças, dois bebês, além dos dois pilotos e dez tripulantes. A bordo estavam passageiros de diferentes nacionalidades: 169 cidadãos indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadense. A Air India confirmou ainda que entre os mortos está o político Vijay Rupani, ex-governador do estado de Gujarat, que governou a região entre 2016 e 2021. O atual primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ocupou o mesmo cargo entre 2001 e 2014.
Inicialmente, o chefe da polícia local havia declarado que não havia sobreviventes. No entanto, horas mais tarde, a informação foi corrigida. “Um dos passageiros, localizado a cerca de 100 metros da fuselagem principal, foi socorrido com vida. Milagre”, disse o oficial em coletiva de imprensa.
As causas do acidente ainda são investigadas pelas autoridades aeronáuticas indianas, com apoio de especialistas internacionais. Uma equipe da Boeing e do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês) já está a caminho da Índia para auxiliar nas investigações.
A queda provocou um incêndio de grandes proporções, que atingiu pelo menos 15 casas na área residencial onde o avião caiu. Equipes de resgate trabalharam por horas entre os escombros. “Foi uma cena apocalíptica. Chamas por todos os lados, pessoas gritando por ajuda, e o cheiro de combustível queimando no ar”, relatou um bombeiro que atuou no local.
O governo indiano declarou luto nacional de três dias e prometeu uma apuração rigorosa das causas do acidente. “É um dia sombrio para a Índia. Nossa prioridade é dar todo o suporte às famílias das vítimas e garantir total transparência nas investigações”, afirmou o ministro da Aviação Civil, Jyotiraditya Scindia.
A Air India lamentou o ocorrido por meio de nota oficial e informou que está oferecendo assistência psicológica e logística aos parentes das vítimas. A companhia ainda não se pronunciou sobre as possíveis causas técnicas da queda.
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