Justiça impõe restrições a vereadora denunciada por maus-tratos a animais em Londrina
Decisão da 5ª Vara Criminal atende pedido do MPPR e afasta parlamentar da Associação Defensora dos Animais; Polícia Civil abre novo inquérito por suspeita de sumiço de cães e gatos
A Justiça acatou pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR) e determinou a aplicação de medidas cautelares contra a vereadora Anne Moraes (PL), de Londrina, investigada e denunciada por supostos crimes ambientais cometidos durante o período em que esteve à frente da Associação Defensora dos Animais de Londrina (ADA Londrina).
A decisão foi proferida pela 5ª Vara Criminal de Londrina na última terça-feira (26), após denúncia apresentada pela 20ª Promotoria de Justiça. A ação penal já foi recebida pelo Poder Judiciário.
Entre as medidas determinadas pela Justiça está a proibição de a parlamentar se aproximar da sede da entidade e manter contato com testemunhas ligadas ao processo. A decisão também impede que ela permaneça com a guarda de animais, determinando a entrega imediata de todos os cães e gatos que estejam sob seus cuidados à equipe de bem-estar animal do município.
Segundo o Ministério Público, a medida busca evitar a continuidade de possíveis irregularidades enquanto o processo criminal segue em tramitação.
Novo inquérito
De acordo com o MPPR, após o recebimento de uma denúncia anônima, a Polícia Civil constatou na quarta-feira (27) que alguns animais teriam sido retirados da chácara mantida pela vereadora. Diante da situação, foi instaurado um novo inquérito policial para apurar possíveis crimes de maus-tratos.
Na avaliação da Promotoria, o episódio pode indicar reiteração de conduta, uma vez que a investigada já responde a processo criminal relacionado a supostos maus-tratos contra cerca de mil animais e estaria descumprindo restrições anteriormente impostas em ações da esfera cível.
O Ministério Público sustenta que, mesmo diante das investigações em andamento, a vereadora continuaria mantendo animais em condições consideradas inadequadas e dificultando o trabalho de fiscalização e resgate.
Intervenção na entidade
A ADA Londrina, que chegou a abrigar aproximadamente mil animais, está atualmente sob intervenção judicial e passou a ser administrada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU).
A intervenção foi solicitada pelo Ministério Público após a identificação de indícios de maus-tratos, além de suspeitas de desvios de recursos públicos e de doações destinadas à manutenção da entidade.
Conforme a denúncia, os fatos investigados teriam ocorrido entre janeiro de 2019 e maio de 2025. As apurações seguem em andamento e serão analisadas pela Justiça ao longo da ação penal.
Defesa questiona operação
Em entrevista concedida à CBN Londrina nesta quinta-feira (28), o advogado Maurício Carneiro, que representa a vereadora Anne Moraes, criticou a forma como a operação foi conduzida pelas autoridades. Segundo ele, não haveria necessidade da ação policial, já que a parlamentar estaria disposta a entregar voluntariamente os animais ao poder público.
O defensor afirmou ainda que sua cliente irá cumprir todas as medidas cautelares determinadas pela Justiça no âmbito das investigações.
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