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Operação Crédito Oculto mira empresário ligado a dinheiro de Dark Horse

Antonio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, é um dos alvos da operação que investiga estruturas financeiras usadas na aquisição de uma distribuidora de combustíveis; empresa também aparece em apuração sobre repasses para o filme

Gabriel Porta/Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
receita federal
receita federal — Crédito: Divulgação / Receita Federal

A Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram nesta quinta-feira (24) a Operação Crédito Oculto, que investiga estruturas financeiras suspeitas de ocultar patrimônio, dissimular a origem de recursos e viabilizar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.

Entre os alvos está o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos. Ele também aparece em outra investigação, conduzida no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o caminho de recursos enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o fundo que financiou o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.

A relação entre os dois casos, porém, precisa ser tratada com cautela. O comunicado oficial da Receita Federal sobre a Crédito Oculto não cita Dark Horse, Daniel Vorcaro ou o financiamento do filme. A operação tem como foco estruturas financeiras relacionadas à ocultação do controle de uma usina sucroalcooleira e à aquisição de uma distribuidora de combustíveis.

Até a manhã desta quinta-feira, também não havia informação pública de que os documentos, celulares ou outros materiais apreendidos na Crédito Oculto tratem diretamente do filme.

Empresa aparece na trilha financeira de Dark Horse

A ligação de Freixo com o caso Dark Horse já havia sido registrada em outras investigações. O Inquérito 5070, que tramita no STF, inclui o empresário, a Entre Investimentos, o Havengate Development Fund e outros nomes relacionados à apuração sobre o financiamento da produção cinematográfica.

A condição de investigado não representa condenação nem comprovação de crime.

A trilha financeira também foi detalhada em reportagens recentes. O SBT News informou que mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram o ex-banqueiro sugerindo, em fevereiro de 2025, que um pagamento relacionado ao filme fosse feito "via Entre". A reportagem teve acesso a um comprovante de transferência de US$ 2 milhões feita pela Entre ao Havengate Development Fund em 13 de fevereiro daquele ano.

Segundo a apuração citada pelo SBT News, a Entre realizou sete remessas ao fundo ao longo de 2025, que somaram US$ 12,33 milhões.

O UOL também informou nesta quinta-feira que o Grupo Entre foi usado por Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões ao Havengate Development Fund, apontado como responsável por administrar recursos destinados ao filme.

Freixo é alvo da Crédito Oculto

Na operação deflagrada nesta quinta, Freixo está entre os alvos de mandados de busca e apreensão. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e investiga suspeitas relacionadas à aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

A Receita Federal informou que a investigação identificou uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões envolvendo direitos creditórios de uma usina sucroalcooleira. Segundo o órgão, os elementos reunidos apontam para uma estrutura que teria ocultado os verdadeiros beneficiários da empresa.

Outra estrutura financeira teria sido utilizada na aquisição da distribuidora de combustíveis. Uma empresa envolvida nas operações movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025, segundo a Receita.

Os valores e as operações são tratados pelas autoridades como indícios dentro da investigação. Não há, neste momento, decisão judicial definitiva que atribua responsabilidade criminal individual aos alvos.

Delação de Freixo foi homologada pelo STF

Freixo também firmou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo foi homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, em 9 de setembro.

Reportagens da Reuters, UOL e CNN Brasil informaram que a colaboração trata de operações realizadas pela Entre e de repasses ao Havengate. Segundo as informações divulgadas, Freixo atribuiu a Daniel Vorcaro a determinação para realizar parte das transferências.

Como ocorre com qualquer colaboração premiada, as declarações do colaborador precisam ser confrontadas com outros elementos de prova antes de serem consideradas comprovadas.

O que a Crédito Oculto pode revelar sobre o caso

A Operação Crédito Oculto tem objeto próprio e uma investigação financeira mais ampla. A Receita afirma que as estruturas analisadas teriam sido utilizadas para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.

Ao mesmo tempo, um dos alvos da operação é justamente um empresário cuja empresa aparece na trilha financeira investigada no caso Dark Horse.

Por isso, as apreensões desta quinta-feira podem trazer novos elementos para a investigação já conduzida pela Polícia Federal sobre os recursos destinados ao filme. Até o momento, porém, não há informação pública que permita afirmar que a Crédito Oculto tenha encontrado dinheiro destinado à produção.

O ponto que ainda precisa ser esclarecido é se os documentos e equipamentos apreendidos com Freixo e outros alvos vão estabelecer alguma ligação entre as estruturas financeiras investigadas na Crédito Oculto e as operações relacionadas ao financiamento de Dark Horse.

A defesa dos investigados ainda não havia sido localizada ou apresentado manifestação até a publicação das primeiras reportagens sobre a operação. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

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