Após suspensão da campanha, Deltan chega a 36,5% no primeiro voto ao Senado
Pesquisa Neokemp foi realizada após decisão do TSE que impediu atos de campanha de Deltan Dallagnol; candidato registra maior percentual da série, enquanto Filipe Barros se destaca como segunda escolha
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A primeira pesquisa eleitoral realizada no Paraná após a suspensão da campanha de Deltan Dallagnol (Novo) não registra, até o momento, queda numérica do candidato na disputa pelo Senado. Deltan aparece com 36,5% no primeiro voto na nova rodada da Neokemp, seu maior percentual nas quatro pesquisas realizadas desde agosto.
O levantamento ganha relevância pelo momento em que foi realizado. A decisão liminar que suspendeu os atos de campanha de Deltan foi proferida pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no sábado, dia 19. Na segunda-feira (21), o plenário manteve a medida por 5 votos a 2. Deltan ficou impedido de realizar atos de campanha, veicular propaganda eleitoral gratuita, participar de debates e utilizar recursos públicos de campanha.
As entrevistas da Neokemp ocorreram nos dias 22 e 23 de setembro. Portanto, todo o trabalho de campo foi realizado depois da liminar e começou após a confirmação da medida pelo plenário do TSE.
Os números não permitem atribuir à decisão judicial eventual crescimento ou estabilidade de qualquer candidatura. Permitem, porém, comparar a fotografia imediatamente anterior à suspensão com a primeira realizada depois dela. Em 15 de setembro, Deltan aparecia com 34,3% no primeiro voto. Agora tem 36,5%, diferença numérica de 2,2 pontos percentuais, dentro da margem de erro geral do levantamento, de 3,1 pontos.
Deltan registra maior número da série
A trajetória desde agosto mostra crescimento numérico de Deltan nas quatro rodadas. Em 25 de agosto, tinha 24,1% no primeiro voto. Passou para 28,7% em 8 de setembro, 34,3% no dia 15 e chega agora aos 36,5%.
Na rodada atual, Gleisi Hoffmann aparece com 18,8% no primeiro voto, seguida por Alexandre Curi, com 15,1%; Filipe Barros, com 10,5%; Cristina Graeml, com 7,2%; e Dr. Rosinha, com 7%.
Na comparação entre a primeira e a atual pesquisa, Deltan apresenta diferença de 12,4 pontos percentuais. Gleisi passou de 21,6% para 18,8%; Curi, de 12,2% para 15,1%; Filipe, de 10,4% para 10,5%; Cristina, de 12,3% para 7,2%; e Rosinha, de 4,8% para 7%.
A série, portanto, mostra que o avanço numérico de Deltan começou antes da decisão judicial. A rodada atual indica que esse movimento não foi revertido imediatamente após a suspensão da campanha, mas ainda é cedo para medir eventual impacto acumulado da ausência de propaganda, debates e outros atos eleitorais.
Filipe Barros se destaca no segundo voto
Como o Paraná elegerá dois senadores, a pesquisa também perguntou separadamente a segunda escolha do eleitor. Nesse cenário, a configuração muda.
Filipe Barros aparece com 24,9% no segundo voto, seguido por Deltan, com 14,3%; Cristina Graeml, 13,7%; Dr. Rosinha, 13%; Alexandre Curi, 12,4%; e Gleisi, 12,1%.
Filipe apresenta crescimento numérico nessa modalidade ao longo das quatro pesquisas: tinha 16,9% em 25 de agosto, passou para 22,3%, depois 23,2% e agora registra 24,9%.
Gleisi também aumentou seu percentual como segunda escolha, passando de 7,6% para 8,8%, 9,9% e 12,1%. Deltan, por outro lado, registra no segundo voto percentual semelhante ao observado no início da série: tinha 14% em agosto e aparece agora com 14,3%.
Os dados evidenciam comportamentos distintos entre primeira e segunda escolhas. Deltan concentra parcela maior de seu percentual no primeiro voto, enquanto Filipe Barros apresenta seu maior número no segundo.
Soma dos dois votos
Na soma apresentada pelo instituto, Deltan alcança 50,8%, Filipe Barros 35,4%, Gleisi 30,9%, Alexandre Curi 27,5%, Cristina Graeml 20,9% e Dr. Rosinha 20%.
Como cada eleitor pode votar em dois candidatos ao Senado, esses percentuais não representam a parcela de eleitores únicos de cada nome e a soma das opções pode chegar a 200%.
Também nesse indicador Deltan registra o maior número da série. Tinha 38,1% em agosto, passou para 47,3% em 8 de setembro, 48,8% no dia 15 e chega agora a 50,8%. Entre a última rodada anterior à suspensão da campanha e a pesquisa atual, a diferença é de dois pontos percentuais.
Filipe Barros passou de 27,3% em agosto para 35,4% agora. Gleisi foi de 29,3% para 30,9%; Curi, de 26,2% para 27,5%; Rosinha, de 16,2% para 20%. Cristina Graeml fez o movimento numérico inverso, passando de 25,4% para 20,9%.
Eleitor define os dois votos
Outro movimento importante ocorre entre os entrevistados que ainda não definiram suas escolhas. Na soma dos dois votos, o percentual de “não sabe” caiu de 23,7% em 25 de agosto para 9,4% na rodada atual. Brancos e nulos passaram de 9,2% para 3,2%.
Assim como na disputa pelo Governo do Paraná, a redução da indefinição é uma das características da reta final da série. No Senado, entretanto, ela ocorre simultaneamente a movimentos numéricos expressivos em algumas candidaturas, principalmente na comparação com o início do tracking.
A pesquisa não acompanha individualmente os mesmos eleitores nas quatro rodadas. Por isso, não é possível determinar para quais candidatos migraram aqueles que anteriormente não haviam definido um ou ambos os votos.
Gleisi tem maior rejeição; Curi, a menor
O cenário muda quando a pergunta é em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum. Gleisi registra 55,6% de rejeição. Deltan aparece com 14%, Filipe Barros com 13,5%, Dr. Rosinha com 8,6%, Cristina Graeml com 3,6% e Alexandre Curi com 1,3%.
Na série iniciada em agosto, a rejeição de Gleisi passou de 48,1% para 55,6%. A de Curi caiu de 6,2% para 1,3%.
Os números mostram que intenção de voto e rejeição medem dimensões diferentes da disputa. Curi, por exemplo, registra 27,5% na soma das duas escolhas e, simultaneamente, o menor percentual de rejeição entre os principais candidatos pesquisados.
Registro mantido, campanha continua suspensa
Durante o próprio período de realização da pesquisa, o cenário jurídico de Deltan teve mais um capítulo. Na quarta-feira (23), o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná manteve o registro da candidatura ao analisar embargos de declaração. A decisão regional, entretanto, não revogou a suspensão dos atos de campanha determinada pelo TSE. O recurso sobre o registro ainda depende de análise da Corte Superior.
A Neokemp ouviu 1.008 eleitores em 215 municípios do Paraná nos dias 22 e 23 de setembro. A margem de erro da amostra total é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa para o Senado está registrada no TSE sob o número PR-07451/2026.
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