Bets prometem recorrer à Justiça contra MP de Lula que proíbe apostas
Associação do setor afirma que medida desrespeita investimentos feitos pelas empresas e estuda pedir devolução das outorgas de R$ 30 milhões e indenização por perdas
Entidades que representam o setor de apostas online afirmaram que vão recorrer à Justiça contra a Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira (25), que proíbe a operação das bets no Brasil.
Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que a medida tem objetivo eleitoral. A entidade também questionou o impacto da decisão sobre as empresas que obtiveram autorização para funcionar no país e fizeram investimentos após a regulamentação do setor.
“Como se não bastassem todas essas consequências nefastas, o país transmite o recado de total desrespeito a uma série de investimentos realizados e ao cumprimento, pelas bets, de todas as contrapartidas fixadas pela legislação”, afirmou a associação.
Empresas pagaram R$ 30 milhões pela autorização
A regulamentação das apostas de quota fixa estabeleceu o pagamento de R$ 30 milhões ao governo federal para que cada empresa pudesse obter autorização para operar.
Segundo a ANJL, 85 empresas cumpriram essa condição desde a regulamentação, o que representa R$ 2,55 bilhões pagos aos cofres públicos.
As autorizações têm prazo de cinco anos. A entidade afirma que a legislação não estabelece regras específicas para devolução, revogação ou cancelamento das outorgas em uma situação como a criada pela MP.
Com a proibição das atividades, as empresas avaliam recorrer à Justiça para tentar recuperar os valores pagos pelas autorizações. O setor também estuda cobrar os chamados lucros cessantes, que correspondem aos ganhos que as empresas estimavam obter durante o período previsto para funcionamento.
Setor avalia ações judiciais
A ANJL informou que já adotou as medidas necessárias para contestar a MP na Justiça e tentar reverter a proibição.
Segundo o presidente da entidade, Plínio Lemos Jorge, a outorga representa o pagamento feito pelas empresas para explorar o serviço de apostas de quota fixa durante cinco anos.
“O pedido de ressarcimento abrangeria não apenas os R$ 30 milhões, mas também indenizações por danos materiais, em função de todos os investimentos feitos pelo setor no país, e danos morais”, afirmou.
A eventual devolução das outorgas e o pagamento de indenizações ainda dependem da análise judicial. Até o momento, não há decisão que determine o ressarcimento dos valores pagos pelas empresas.
MP proíbe funcionamento das bets
A Medida Provisória assinada por Lula tem efeito imediato, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional.
Pelas regras anunciadas pelo governo, as plataformas deverão deixar de operar no país a partir de 6 de outubro. Os apostadores poderão retirar voluntariamente os valores disponíveis nas contas até as 23h59 de 5 de outubro.
A medida ocorre nove dias antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro.
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