Conselho do MPF rejeita investigação contra Gonet por 5 votos a 4
Colegiado também decidiu por unanimidade não afastar o procurador-geral da condução dos casos do Banco Master; eventual suspeição deverá ser analisada nos próprios processos que tramitam no STF
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitou, por 5 votos a 4, a abertura de uma investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por sua atuação nos casos relacionados ao Banco Master.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (25), após o colegiado analisar uma representação que questionava a atuação de Gonet a partir de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O pedido de investigação apontava uma possível prática de prevaricação. A maioria dos conselheiros, porém, considerou que não havia elementos mínimos suficientes para justificar a abertura de uma apuração criminal.
Em uma segunda votação, o Conselho decidiu por unanimidade não afastar Gonet da condução dos processos relacionados ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse caso, foram 9 votos a 0.
As duas decisões têm efeitos diferentes. O placar de 5 a 4 encerrou, no âmbito do CSMPF, o pedido de abertura de investigação contra Gonet. Já a votação unânime manteve o procurador-geral à frente dos casos que tramitam no STF.
Suspeição será discutida no STF
O Conselho também entendeu, por unanimidade, que não cabe ao colegiado analisar eventual suspeição ou impedimento de Gonet nos processos que tramitam no Supremo.
Segundo o MPF, essa questão deve ser apresentada e analisada diretamente nos processos judiciais correspondentes. A decisão, portanto, não concluiu que Gonet é ou não suspeito.
O relator do caso, subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino, sustentou que o Conselho não poderia exercer controle disciplinar sobre o conteúdo das manifestações processuais do procurador-geral, em razão da independência funcional do cargo.
Mensagens de Vorcaro
Gonet passou a ser questionado no CSMPF depois que mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro vieram a público.
Em uma das conversas, de novembro de 2025, Vorcaro mencionou os nomes de Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao demonstrar preocupação com o avanço de uma investigação.
Apesar da menção, não foram apresentados elementos que comprovem que Gonet ou Rodrigues tenham interferido nas investigações.
O relator também considerou insuficientes os elementos apresentados para caracterizar uma relação de amizade íntima entre Gonet e Vorcaro ou o recebimento de vantagens pelo procurador-geral.
Durante a análise, Sanseverino citou ainda a recusa de uma proposta de colaboração premiada de Vorcaro como um dos elementos considerados incompatíveis com a hipótese de favorecimento.
Esses pontos fazem parte dos fundamentos apresentados pelos conselheiros que votaram pelo arquivamento do pedido de investigação.
Foto com Vorcaro
O caso também ganhou repercussão após a divulgação de uma fotografia em que Gonet aparece ao lado de Vorcaro e de outras pessoas durante um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024.
A imagem foi publicada depois que as mensagens passaram a ser discutidas publicamente. A Procuradoria-Geral da República confirmou a fotografia e afirmou que o encontro foi breve e não demonstraria uma relação de proximidade entre os dois.
A existência da fotografia, isoladamente, não comprova favorecimento ou interferência de Gonet nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Gonet continua nos casos
Com a decisão desta sexta-feira, Gonet permanece na condução dos processos relacionados ao Banco Master que tramitam no STF. O Conselho também rejeitou, por 5 votos a 4, a abertura de uma investigação criminal contra o procurador-geral.
A decisão do CSMPF não encerra as investigações sobre o Banco Master nem impede que questões relacionadas à eventual suspeição de Gonet sejam discutidas nos processos que tramitam no Supremo.
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